'A família desapareceu', diz parente de brasileiros mortos em ataque israelense no Líbano
28/04/2026
(Foto: Reprodução) Família de brasileiros mortos em bombardeio no Líbano fala sobre ataque
Um parente dos brasileiros mortos em um ataque israelense no Líbano afirmou nesta terça-feira (28) que "dorme e acorda com medo" em meio aos bombardeios israelenses ao território libanês.
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O homem, identificado como Nader, deu entrevista ao jornalista Gabriel Chaim na Globonews. Nader é parente do menino de 11 anos e de uma mulher, ambos brasileiros, que foram mortos em um ataque de Israel ao sul do Líbano.
A brasileira morta, identificada como Manal Jaafar, era mãe do menino Ali Ghassan Nader. O pai da família, o libanês Ghassan Nader, e uma etiopiana que era diarista da casa também foram mortos no ataque, segundo Chaim.
"Nós vivíamos no Brasil em paz, nunca aconteceu nada com a gente enquanto vivemos nessa terra boa, de família, de um povo que gosta de povo. Não é igual aqui [no Líbano], que todo dia a gente dorme com medo e acorda com medo. Hoje falo com um amigo que está vivo, e amanhã ele está morto pelos bombardeios de Israel, que bate no Líbano sem coração e com maldade para esse povo que vive no sul do Líbano", afirmou Nader.
Ele também chamou de mentiroso o cessar-fogo entre Israel e Líbano anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na semana passada. A trégua foi firmada após encontro entre os governos israelense e libanês, com mediação americana. Porém, desde então, foram registradas várias violações por parte de Israel e pelo Hezbollah - grupo extremista libanês aliado do Irã.
Nader disse ainda que a família não morava mais na casa bombardeada, porém foi até o local durante a trégua para retirar alguns pertences.
O ataque aéreo atingiu a casa quando eles estavam se preparando para voltar a Aramoun, onde passaram a morar por causa do conflito.
"O bombardeio queimou e derrubou a casa inteira. (...) Agora não tem casa, nem terra, nem nada. Queimou de uma hora para a outra, a família desapareceu. É triste", disse Nader.
Os corpos de Ghassan e de Manal ainda não haviam sido localizados até a última atualização desta reportagem. Bassem, de 22 anos e irmão do menino Ali, foi o único sobrevivente do ataque e recebeu alta do hospital nas últimas horas.
Ali Ghassan Nader, Ghassan Nader e Manal Jaafar, vítimas de um bombardeio no Líbano.
Reprodução / Redes Sociais
Itamaraty confirma morte de 2 brasileiros no Líbano
O Ministério das Relações Exteriores brasileiro informou na segunda-feira (27) que um menino brasileiro de 11 anos, sua mãe, também brasileira, e o pai, libanês, morreram após ataques israelenses no Líbano.
"O governo brasileiro tomou conhecimento, com consternação e pesar, das mortes, em 26/4, de criança brasileira, de 11 anos, de sua mãe, também brasileira, e de seu pai libanês, vítimas de ataque das Forças de Defesa de Israel".
O Itamaraty informou ainda que o ataque israelense ao Líbano constitui mais um exemplo das "reiteradas e inaceitáveis violações ao cessar-fogo" anunciado em 16 de abril.
Isso porque, conforme o governo brasileiro, dezenas de civis libaneses, incluindo mulheres e crianças, morreram nesses ataques.
"Ao expressar sinceras condolências aos familiares das vítimas, o Brasil reitera sua mais veemente condenação a todos os ataques perpetrados durante a vigência do cessar-fogo, tanto por parte das forças israelenses quanto do Hezbollah", afirmou o Itamaraty.
O Brasil vem defendendo ao longo das últimas semanas que as tropas israelenses devem deixar imediatamente o Líbano.
Além disso, tem defendido que o cessar-fogo entre Israel e Irã seja estendido ao Líbano, garantindo a soberania do país.
“A família encontrava-se em sua residência, no distrito de Bint Jeil, no Sul do Líbano, no momento do bombardeio”, informou o Itamaraty.
Segundo o ministério, a embaixada brasileira em Beirute está em contato com a família dos brasileiros que morreram no ataque para prestar assistência.
Fumaça no Líbano após um ataque israelense neste domingo (26).
REUTERS/Shir Torem
A ofensiva ocorreu após a emissão de um alerta de evacuação para moradores de sete cidades e vilarejos da região.
Segundo o Exército israelense, os ataques foram motivados por “repetidas violações do cessar‑fogo por parte do Hezbollah”.
Pelos termos do acordo firmado em abril, Israel mantém o direito de continuar realizando operações militares contra o Hezbollah, mesmo durante o período de cessar‑fogo.
Cessar-fogo frágil
Donald Trump anunciou na quinta-feira (23) a prorrogação do cessar-fogo entre Israel e Líbano por mais três semanas. A decisão foi tomada após uma nova reunião entre autoridades dos dois países em Washington.
A trégua entrou em vigor em 16 de abril e previa duração inicial de 10 dias. Com a renovação no dia 23, o cessar-fogo deve durar pelo menos até o início da segunda quinzena de maio. No entanto, Israel e o Hezbollah nunca deixaram de trocar ataques.