Cota para brancos: Trump vai ampliar visto de refugiados para receber sul-africanos brancos, diz agência
26/05/2026
(Foto: Reprodução) Em imagem de arquivo, o presidente dos EUA, Donald Trump, mostra supostas reportagens sobre 'genocídio branco' na África do Sul enquanto se encontra com o presidente do país, Cyril Ramaphosa
REUTERS/Kevin Lamarque
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai ampliar o teto de concessão anual de vistos de refugiados nos EUA para receber cidadãos brancos da África do Sul, segundo um documento da Casa Branca ao que a agência de notícias Reuters teve acesso nesta terça-feira (26).
No documento, Trump afirma que há uma "onda de violência motivada por questões raciais" contra sul-africanos brancos e africâners, minoria de brancos descendentes de holandeses, franceses e alemães. Ele não ofereceu provas para a alegação.
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De acordo com a Reuters, o governo norte-americano aumentará em 10.000 o número limite de refugiados admitidos por ano, e o excedente só poderá ser preenchido pelo grupo de sul-africanos brancos.
Atualmente, o governo Trump estabeleceu um limite máximo de 7.500 vistos que concede anualmente a refugiados. Com o novo excedente, o número total será de 17.500.
Desde que assumiu seu segundo mandato à frente da Casa Branca, no início do ano passado, Donald Trump vem afirmando, sem apresentar provas, haver um "genocídio branco" na África do Sul — país em que viveu quase 50 anos sob o Apartheid, um regime oficial que determinava a segregação racial em detrimento da população negra.
Em 2025, ao receberna Casa Branca o presidente sul-africano, Cyril Rampahosa, ele exibiu vídeos que supostamente mostravam perseguições a brancos na África do Sul e uma cena em que trabalhadores humanitários retiravam corpos em sacos.
Diante da imprensa, Trump defendeu sua tese de genocídio contra brancos, especialmente fazendeiros sul-africanos, em meio ao debate no país sobre reforma agrária (veja no vídeo abaixo).
Depois, investigações descobriram que o vídeo mostravam imagens capturadas na verdade na República Democrática do Congo, e os corpos eram vítimas de um massacre feito por um grupo rebelde.
Trump constrange presidente da África do Sul ao mostrar vídeos de suposto genocídio branco
Na ocasião, após a exibição do vídeo, Ramaphosa disse não ter conhecimento dos casos e questionou onde eram as cenas registradas — governo sul-africano refuta a alegação de perseguição a brancos. As taxas de homicídio no país, mais altas que a média mundial, afeta cidadãos negros em maioria esmagadora.
No ano passado, Trump inclusive expulsou o embaixador da África do Sul nos EUA em protesto e chegou a oferecer refúgio à minoria branca africâner com base nas alegações de discriminação racial. Em maio de 2025, um grupo de 59 sul-africanos brancos chegou aos EUA como refugiados, mas não dentro de uma cota estabelecida por Washington, como é o caso agora.
O governo norte-americano ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre o plano, e a Reuters não informou se o documento estipulava uma data de início da cota para os sul-africanos brancos.
👉 Os EUA são signatários de um protocolo que prevê o cumprimento dos principais pontos do Estatuto do Refugiado, que prevê a concessão de visto para pessoas que fugiram de seus países por perseguições por raça, cor, orientação sexual, religião ou etnia.
No entanto, não há registros de que o governo norte-americano já tenha estipulado uma cota na concessão de vistos destinadas a um grupo racial específico.