Escala 6x1: Governo contradiz Motta e nega ter desistido de enviar projeto que reduz jornada

  • 07/04/2026
(Foto: Reprodução)
O governo negou nesta terça-feira (7) que desistiu de enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei de autoria do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada de trabalho. Mais cedo, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse à imprensa que o líder do governo na Casa, deputado José Guimarães (PT-CE), havia informado a desistência do Palácio do Planalto de propor um novo texto. O g1 tentou contato com Guimarães, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem. Os ministros Guilherme Boulos (PSOL), da Secretaria-Geral da Presidência da República, e Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação Social, afirmaram ao g1 e à GloboNews que o governo segue disposto a enviar uma proposta sobre o tema para análise dos parlamentares. Segundo Boulos, o governo defende as seguintes mudanças nas regras trabalhistas: fim da escala 6x1 e implementação da 5x2, com dois dias de descanso semanais; que a jornada de trabalho seja de 40 horas por semana, no máximo; que as mudanças sejam feitas sem redução de salário dos trabalhadores. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O projeto de lei do governo pode ser enviado em regime de urgência, o que obriga a Câmara e o Senado Federal a analisarem a proposta. Caso contrário, a pauta de votação fica trancada até o texto em urgência ser analisado. 🔎 Projetos com urgência de autoria do presidente da República trancam a pauta do Congresso caso não seja analisado em até 45 dias pela Câmara e, posteriormente, em até 45 dias pelo Senado. A proposta deve ser enviada até o início da próxima semana – o que garantiria uma tramitação mais rápida e demandaria menos votos para ser aprovado do que a proposta em discussão na Câmara, que é uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). O governo deve se reunir nos próximos dias para fechar o texto do projeto. Lula ensaia enviar a proposta há meses. Enviar uma proposta do governo é uma ideia defendida por Boulos e por Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-ministra da Secretário de Relações Institucionais (SRI), que alegam demora da Câmara para votar o tema. Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) - Imagem de arquivo Mateus Bonomi/Agif/Estadão Conteúdo Interesse do governo Ministros citam audiências públicas convocadas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para discutir o mérito da proposta, o que não seria atribuição da comissão. Em geral, o colegiado analisa se as propostas que chegam à Câmara respeitam o texto constitucional e dispõem de condições de seguir a tramitação. Os governistas acreditam que essa postura é uma manobra para retardar a tramitação da PEC. O relator da PEC é o deputado Paulo Azi (União-BA), partido de oposição ao governo. A possibilidade de Lula vetar pontos do projeto de lei que não agradem também é levada em consideração. A PEC não passa pelo crivo do presidente após ser aprovada pelos parlamentares e é promulgada pelo presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP). O governo também quer que o projeto seja sancionado por Lula para colocar as digitais do Planalto na resolução do tema, o que poderia ser explorado eleitoralmente. Motta quer pautar PEC Motta defende votar a PEC que tramita na Câmara. No começo do ano, ele determinou que sejam analisadas juntas uma proposta da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) que acaba com a escala 6x1 e outra apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). Segundo Motta, a PEC deverá ser votada na próxima semana na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e até o fim de maio em plenário.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/04/07/governo-contradiz-motta-e-nega-ter-desistido-de-enviar-projeto-ao-congresso-que-poe-fim-a-escala-6x1.ghtml


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