Flávio Bolsonaro vai aos EUA falar em audiência pública sobre tarifaço
03/07/2026
(Foto: Reprodução) O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
Wilton Junior/Estadão Conteúdo
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) participa na próxima terça-feira (7) de uma audiência pública em Washington, nos Estados Unidos, para tratar das tarifas impostas pelos EUA ao Brasil. A participação de Flávio está confirmada em documento do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que promove o evento.
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O presidenciável tenta se colocar como interlocutor do presidente americano, Donald Trump, e compõe um painel marcado para as 10h (horário local) de terça-feira. Flávio dividirá a mesa com Roberto Azevedo, representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI), e com integrantes dos setores de calçados do Brasil e dos EUA.
Os EUA ameaçam taxar em 25% produtos brasileiros.
Em uma manifestação enviada na quinta-feira ao USTR, Flávio disse que sanções ao PIX "prejudicam investimentos dos EUA" e prometeu um "compromisso legislativo" de que o meio de pagamento não será internacionalizado.
A audiência pública da próxima semana trata da investigação da "Seção 301", que apura políticas e práticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico - em especial o PIX, tarifas preferenciais, aplicação de leis anticorrupção, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento.
Flávio cumpre agenda nesta sexta-feira (3) no Rio de Janeiro, onde participa pela manhã do Seminário Nacional de Comunicação do PL. Estava previsto que ele estivesse, à noite, na festa de São João de Campina Grande, na Paraíba, mas, pela manhã, o compromisso foi cancelado.
Em Washington, o USTR marcou as audiências públicas para os dias 6 e 7 de junho, na sede da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos.
🔎 O USTR é o órgão responsável por formular e negociar a política comercial dos EUA. Ele conduz investigações sobre práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano e pode recomendar medidas como a imposição de tarifas.
O governo brasileiro não participa desses encontros e atua no tema pelas vias diplomáticas. Nessa quinta-feira, o Brasil encaminhou resposta aos Estados Unidos sobre a investigação. No documento, o chanceler Mauro Vieira afirma que as críticas do governo americano ao PIX e a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) não têm relação com comércio, mas com divergências sobre políticas internas.
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Estão inscritos para falar no evento representantes brasileiros de setores econômicos como siderurgia, agronegócio, energia, mineração, papel e indústria.
Na agenda do encontro aparece ainda o nome do bolsonarista Paulo Figueiredo, que disse, na semana passada, que "mulher vota mal para caralho". No Twitter, Figueiredo disse que a afirmação é "estatisticamente indiscutível" e se deve ao avanço da "ideologia demoníaca feminista".
O teor da fala fez com que Flávio viesse a público dizer que discorda do aliado. Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldade para crescer eleitoralmente entre as mulheres, mostram as recentes pesquisas de intenção de voto.
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Paulo Figueiredo estava ao lado de Flávio e Eduardo Bolsonaro (PL), deputado federal cassado, em reunião com Trump no Salão Oval, em maio.
Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo com Donald Trump
Reprodução/Instagram
Figueiredo é neto do ex-presidente da ditadura militar João Figueiredo e mora nos Estados Unidos. Ele é investigado pelo Supremo Tribunal Federal no inquérito que apura a atuação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) contra interesses do Brasil nos Estados Unidos.
Em 2025, Figueiredo atuou ao lado de Eduardo Bolsonaro para influenciar o governo de Donald Trump a punir o ministro Alexandre de Moraes com a Lei Magnitsky e a impor tarifas de 50% ao Brasil. Ele é investigado por coação, obstrução de investigação e tentativa de abolição violenta ao Estado Democrático de Direito.