Mendonça autoriza PF a investigar suposto tráfico de influência de Lulinha na Dataprev

  • 31/07/2026
(Foto: Reprodução)
STF autoriza nova investigação contra Lulinha O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta sexta-feira (31) uma nova investigação da Polícia Federal (PF) contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por eventual atuação para beneficiar empresários em contratos da Dataprev. A PF vai apurar se Lulinha cometeu os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e organização criminosa. 🔎 A Dataprev é uma empresa pública responsável pela gestão de dados sociais do governo federal, em especial do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Na quinta-feira (30), Mendonça já havia autorizado a abertura de outro inquérito para investigar Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ministro foi sorteado para ser o relator da investigação. Na investigação tornada pública na quinta, a Polícia Federal pediu ao STF a abertura de um inquérito para apurar se Lulinha cometeu os crimes de tráfico de influência e corrupção ao atuar para favorecer o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes em negócios com o Ministério da Saúde e no gabinete presidencial. (Veja detalhes) LEIA TAMBÉM: Careca do INSS tentou emplacar, sem sucesso, três contratos milionários com o Ministério da Saúde Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", é apontado como um dos principais responsáveis por desvios de aposentadorias e pensões, conforme as investigações da PF na Operação Sem Desconto. Filho do presidente Lula, Lulinha, é investigado pelo STF. Reprodução/Jornal Nacional O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que atua na defesa de Lulinha, chamou a decisão de "lamentável" e afirmou que não há nenhum fato que justifique a abertura do inquérito. "A Polícia Federal segue empreendendo esforços na perspectiva de tentar interferir no processo eleitoral. É absolutamente lamentável. Não há qualquer fato que justifique a abertura de qualquer tipo inquérito contra o Fábio Luis. Nós vamos comprovar que não qualquer tipo de relação, nem direta, nem indiretacom qualquer tipo de irregularidade", disse. "É mais do mesmo, tentativa e erro. É a velha estratégia de criar um factóide. Ao que parece, a Polícia Federal está procurando uma espécie de melhor de três, não achei aqui, vou procurar ali. Isso é fishing expedition, pesca probatória, e nos remete ao que houve de pior no nosso sistema de justiça", afirmou. Investigações contra Lulinha No inquérito sobre a atuação no Ministério da Saúde, a PF suspeita que Lulinha e o Careca tenham tido negócios na área de cannabis medicinal. Como o g1 noticiou em janeiro, o lobista tentou fechar um contrato milionário com o Ministério da Saúde em 2024 e 2025 para vender medicamentos de canabidiol ao governo. O contrato não foi fechado. O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que atua na defesa de Lulinha, afirmou considerar que a PF pediu o inquérito sobre atuação na área da saúde porque não encontrou nenhuma irregularidade envolvendo o filho do presidente na investigação das fraudes do INSS. "Lulinha já demonstrou que não tem relação direta ou indireta com o INSS e não tem relação com os negócios da Roberta. A PF não achou nada no INSS e vai procurar em outro lugar. Isso é pesca probatória. Isso é grave", afirmou Carvalho. O Ministério da Saúde afirmou que não tem nem nunca teve contrato com a World Cannabis ou com acionistas citados. "Dessa maneira, nunca fez nenhum repasse de recursos públicos a eles", disse a pasta. Lulinha é suspeito de ter atuado para que o Careca fosse recebido no ministério. O lobista havia contratado a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, para prospectar negócios de cannabis medicinal com o governo federal em favor da empresa World Cannabis, que pertencia ao Careca. A defesa de Roberta nega irregularidades em seu contrato com o Careca e afirma que jamais repassou qualquer valor a Lulinha. No início de 2025, o Careca do INSS foi recebido no Ministério da Saúde por Swedenberger Barbosa, o Berger, que era secretário-executivo — o número 2 da pasta. Depois de sair do ministério, em 2025, Berger virou chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do Gabinete Pessoal do presidente da República. A PF investiga possível tráfico de influência tanto no Ministério da Saúde como no gabinete presidencial. Berger afirmou ao g1, em nota, que "a agenda [com o Careca] ocorreu conforme as atribuições da sua função à época, sem que tenha havido qualquer tipo de 'orientação' para a sua realização". "Como não houve interesse do ministério em adquirir qualquer produto ou serviço da empresa, o encontro não teve nenhum desdobramento, o que evidencia sua condução técnica e afasta a tese de qualquer tipo de influência política", disse Berger em janeiro deste ano. Em março passado, a defesa de Lulinha confirmou, em entrevista à GloboNews, que ele viajou para Portugal com o Careca do INSS em novembro de 2024. A viagem foi para visitar uma fábrica de medicamentos de canabidiol, mas, segundo a defesa, não resultou em nenhum negócio entre Lulinha e o lobista. "Fábio viajou com o Antônio Camilo, a convite do Antônio Camilo, então um empresário de sucesso no ramo farmacêutico, que ele conheceu através da sua amiga Roberta Luchsinger, a empresária Roberta. Nunca trabalhou com Antônio Camilo e essa viagem não rendeu, qualquer que tenha sido, contrato de forma direta ou indireta. Ele foi conhecer a extração de canabidiol, demonstrou uma curiosidade, foi convidado e aceitou o convite e viajou para Portugal", disse Carvalho.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/07/31/mendonca-autoriza-pf-a-investigar-suposto-trafico-de-influencia-de-lulinha-no-governo.ghtml


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