Nome de Cláudio Castro aparece em lista de bicheiro Adilsinho
02/07/2026
(Foto: Reprodução) O ex-governador Cláudio Castro (PL)
Fernando Frazão/Agência Brasil
O nome do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) aparece em uma lista encontrada pela Polícia Federal e atribuída ao bicheiro Adilsinho, alvo da 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta quinta-feira (2).
De acordo com a apuração do repórter Mohamed Saigg, a lista cita uma doação de R$ 3,2 milhões para o candidato Cláudio Castro. O ex-governador cassado concorreu em 2022 à reeleição. Castro governou o Rio de Janeiro de 2021 a 2026, quando renunciou um dia antes do julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que determinaria a cassação e inelegibilidade dele.
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A lista reúne supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de dinheiro e nomes de agentes políticos do Rio.
O bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, na sede da PF
Reprodução/TV Globo
Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, é alvo de um mandado de prisão na operação desta quinta-feira, ainda que já esteja preso.
PF deflagra 5ª fase da Operação Unha e Carne no Rio
Apesar de aparecer na lista de Adilsinho, Cláudio Castro não é alvo dessa 5ª fase da Unha e Carne.
De acordo com fontes a par da apuração, o nome de Castro e de outras pessoas constam da lista, mas não foram alvo da operação porque a Polícia Federal está aprofundando as investigações.
A reportagem procurou a assessoria de Cláudio Castro e aguarda um posicionamento do ex-governador.
Operação Unha e Carne
A Polícia Federal deflagrou a 5ª fase da Operação Unha e Carne nesta quinta-feira (2) para investigar esquemas de lavagem de dinheiro da cúpula do jogo do bicho e possíveis conexões com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.
O pastor e empresário Márcio Poncio foi preso preventivamente em um flat na Barra da Tijuca, sendo investigado por suposta ligação com a denominada "Máfia do Cigarro".
Além de Poncio, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), expediu mandados de prisão contra Adilsinho e o ex-deputado Rodrigo Bacellar, que já se encontravam presos por fases anteriores da mesma operação.
A decisão judicial também determinou o sequestro de bens e valores de até R$ 22 milhões, baseando-se em planilhas da Operação Fumus de 2021 que indicavam pagamentos indevidos e "mesadas" para pelo menos 20 políticos do estado.
A 5ª fase da investigação deriva de uma determinação do STF no âmbito da ADPF das Favelas, que ordena a apuração de vínculos entre grupos criminosos e agentes públicos.
Nas fases anteriores, a Operação Unha e Carne investigou o vazamento de informações sigilosas para a facção Comando Vermelho, o escândalo da Ceperj e fraudes em contratações na Secretaria Estadual de Educação.
As investigações anteriores envolveram figuras como o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto e o deputado Thiago Rangel, apontando para uma possível cadeia de proteção institucional ao crime organizado.
A "Máfia do Cigarro", liderada por Adilsinho, é descrita como um esquema que controla a venda de cigarros falsificados em quase metade dos municípios do Rio de Janeiro, gerando prejuízos bilionários em sonegação fiscal.
Em resposta às acusações, a defesa de Márcio Poncio afirmou não ter tido acesso aos autos do processo, enquanto a defesa de Adilsinho negou o pagamento de vantagens indevidas a políticos.