OMS identifica tratamentos e vacinas contra o Ebola para teste em ensaios clínicos em meio a surto
29/05/2026
(Foto: Reprodução) Um homem atravessa um posto de controle de temperatura após Uganda fechar suas fronteiras com a República Democrática do Congo, enquanto as autoridades intensificam os esforços para conter um novo surto de Ebola causado pela cepa do vírus Bundibugyo, no posto fronteiriço de Mpondwe, distrito de Kasese, Uganda, em 28 de maio de 2026.
REUTERS/Abubaker Lubowa.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou a priorização de três tratamentos experimentais contra a cepa Bundibugyo do Ebola: o MBP134, da Mapp Biopharmaceutical; o maftivimab, da Regeneron; e o antiviral remdesivir, da Gilead Sciences.
A agência afirmou nesta quinta-feira que esses medicamentos, além de vacinas candidatas, devem ser avaliados em ensaios clínicos para gerar dados sobre segurança e eficácia.
A medida surge em meio à continuidade do surto na República Democrática do Congo, com casos também relatados em Uganda.
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Segundo a entidade, ainda não há vacinas ou terapias aprovadas especificamente para a doença causada pela cepa Bundibugyo do vírus Ebola.
Em comunicado, a Regeneron informou que o fornecimento de maftivimab já está disponível na RDC, caso a OMS decida utilizá-lo imediatamente em pacientes ou incorporá-lo a estudos clínicos.
Para prevenção, a OMS destacou o antiviral oral experimental obeldesivir, da Gilead, como prioridade para uso pós-exposição em contatos de casos confirmados. A agência ressaltou, porém, que a eficácia da estratégia depende de um rastreamento rigoroso de contatos.
Profissionais de saúde com equipamentos de proteção do lado de fora do Hospital Geral de Referência durante ações de combate ao surto de Ebola, em 21 de maio de 2026, em Mongbwalu, na República Democrática do Congo
Getty Images/BBC
Entre as vacinas em desenvolvimento, a candidata de dose única rVSV Bundibugyo, desenvolvida pela International AIDS Vaccine Initiative, foi considerada a mais promissora. Ainda assim, a OMS avalia como improvável que o imunizante esteja pronto para testes nos próximos sete a nove meses.
Outro candidato, o ChAdOx1 Bundibugyo, desenvolvido pela University of Oxford em parceria com o Serum Institute of India, poderá avançar para testes em dois a três meses, embora ainda dependa de dados adicionais em estudos com animais.
A OMS também analisou o uso potencial da Ervebo, da Merck & Co., atualmente a única vacina licenciada contra o Ebola. A agência, no entanto, recomendou que o imunizante não seja usado fora de pesquisas, já que as evidências de proteção contra a variante Bundibugyo ainda são consideradas limitadas e inconclusivas.
Os consultores da OMS também recomendaram avaliar terapias combinadas, unindo anticorpos monoclonais ao remdesivir.
A agência informou ainda que trabalha com autoridades da República Democrática do Congo e de Uganda, além de parceiros como o Africa Centres for Disease Control and Prevention, para estruturar e implementar ensaios clínicos sob rigorosos padrões éticos.
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