Países reagem a novas tarifas de Trump; Europa tem ‘alívio’ após multa milionária ao Google

  • 24/07/2026
(Foto: Reprodução)
Contêiners chegam ao porto de Oakland, na Califórnia. (18/04/2025) Getty Images via AFP - JUSTIN SULLIVAN As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a cerca de 60 países, já a partir desta sexta-feira (24), geram reações dos parceiros comerciais dos americanos no mundo. A China declarou “ser contra qualquer forma de medidas tarifárias unilaterais”, mas a União Europeia não escondeu o alívio pelo fato de a taxa aplicada aos produtos europeus não ser a mais alta. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O anúncio de Washington ocorreu no mesmo dia em que a gigante americana Google foi alvo de uma pesada multa no continente europeu. "A UE saúda o fato de que esse desfecho é consistente com os compromissos dos EUA em relação às tarifas", estabelecidos no acordo comercial firmado no ano passado entre Bruxelas e Washington, disse Olof Gill, porta-voz da Comissão Europeia. A UE recebeu uma alíquota tarifária global de 10%, com isenções tarifárias adicionais para certos produtos, como cortiça e diamantes, que se somam a mercadorias já isentas, a exemplo de aeronaves e suas peças de reposição e medicamentos genéricos. Para Bruxelas, isso cria uma "dinâmica positiva" para as discussões transatlânticas sobre diversos temas, que vão desde matérias-primas estratégicas até inteligência artificial, salientou Olof Gill. Agora no g1 O anúncio de Washington ocorreu poucas horas depois de a UE decidir multar o Google em € 890 milhões por práticas anticompetitivas no setor digital. A decisão contra a gigante de tecnologia americana havia suscitado temores de uma retaliação por parte de Washington, já que o governo de Donald Trump costuma acusar o bloco europeu de atingir injustamente empresas americanas por meio de suas regulamentações digitais. Novas tarifas substituem rodada temporária Cerca de 60 economias enfrentam novas tarifas a partir da meia-noite e um minuto desta sexta-feira (24), em substituição às taxas temporárias implementadas em fevereiro por Donald Trump. Essas tarifas temporárias haviam sido adotadas após uma decisão da Suprema Corte de anular a maioria das sobretaxas estabelecidas desde o retorno de Trump ao poder. Agora, uma série de produtos que entram nos Estados Unidos vindos de uma longa lista de países passa a estar sujeita a impostos de importação de 10% ou 12,5%. União Europeia, Reino Unido, México e Canadá, alguns dos parceiros comerciais mais importantes dos Estados Unidos, serão alvo de 10% de sobretaxa. O Brasil, já taxado em 25% na semana passada, recebeu uma nova rodada de 12,5%, resultado da investigação do Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) sobre falhas no combate à importação de 3 mil itens acusados de serem feitos com o uso de trabalho forçado. "Na ausência de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais", denuncia uma nota oficial do governo brasileiro sobre o assunto. O governo Lula decidiu que vai usar a Lei da Reciprocidade como forma de pressão, mas não vai deixar a mesa de negociações com o governo de Donald Trump. Países asiáticos protestam Na Ásia, a China declarou que as novas tarifas de 12,5% contra os produtos chineses “não atendem aos interesses de nenhuma das partes". "Somos contra qualquer forma de medidas tarifárias unilaterais", disse Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China. Apesar da rivalidade, a China e os Estados Unidos haviam chegado a uma trégua comercial em outubro. No entanto, as disputas persistem: Pequim critica Washington por restrições a tecnologias que podem ser exportadas para empresas chinesas. As Filipinas, que, como os demais países, também são visadas com o argumento de uso de trabalho forçado, expressaram "profunda preocupação". "Estamos muito preocupados e surpresos com essa nova taxa de 12,5%, que é muito alta", disse George Barcelon, presidente da Câmara de Comércio e Indústria das Filipinas (PCCI), à AFP na sexta-feira. "Isso tornará as indústrias menos competitivas", alertou ele. A secretária de Comércio das Filipinas, Christina Roque, disse que o país possui uma "política firme contra o trabalho forçado, em conformidade com várias convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT)". Mesmo antes da entrada em vigor da nova rodada tarifária de 12,5%, Austrália, Japão e Nova Zelândia, aliados dos EUA na Ásia, criticaram duramente as barreiras. Canberra as considera "injustificadas", Wellington as acha "extremamente decepcionantes" e Tóquio as "lamenta". O argumento do trabalho forçado Em meados de março, o representante de Comércio dos EUA (USTR), Jamieson Greer, iniciou uma investigação para determinar se os parceiros comerciais dos EUA haviam eliminado completamente de suas cadeias de suprimentos produtos fabricados com mão de obra forçada. "Buscamos acabar com o comércio desse tipo de produto", explicou Greer à CNN. "Se você permite a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado, cria-se uma concorrência desleal para os seus próprios produtos. Queremos que todos os países tenham o mesmo tipo de proteção", acrescentou. Segundo Greta Peisch, advogada especializada em comércio internacional, o objetivo é "manter poder de negociação e continuar pressionando para que os países continuem a honrar os acordos comerciais que assinaram e, talvez, negociem outros no futuro". "Há um fio condutor, mesmo que as alíquotas tarifárias variem significativamente e as justificativas para elas mudem com o tempo", acrescentou ela. "O presidente reconheceu que o mercado dos EUA é um ativo importante que ele pode usar como alavanca junto a esses países para alcançar os objetivos desejados", admitiu uma autoridade americana à imprensa. A Casa Branca espera que essa nova sobretaxa não tenha o mesmo destino daquela implementada no ano passado. Para garantir a viabilidade jurídica, o USTR baseou-se na mesma legislação utilizada anteriormente para justificar tarifas setoriais específicas – como o aço, o alumínio, o cobre, a madeira e automóveis —, que não haviam sido anuladas pela Suprema Corte. Várias outras investigações também estão em andamento com base nesse mesmo texto, particularmente no que diz respeito a uma possível capacidade industrial excedente. Com AFP

FONTE: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/07/24/paises-reagem-a-novas-tarifas-de-trump-europa-tem-alivio-apos-multa-milionaria-ao-google.ghtml


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