Prazo de novo acordo que impediria Irã de ter armas nucleares vai 'além' de 20 anos, diz Trump
16/04/2026
(Foto: Reprodução) Trump conversa com jornalistas nos jardins da Casa Branca, em Washington, antes de viagem a Las Vegas, em 16 de abril de 2026
Jessica Koscielniak/Reuters
Um novo acordo entre os Estados Unidos e o Irã que estaria em negociação entre os dois países vai impedir Teerã de possuir armas nucleares e não estaria sujeito a um limite de 20 anos, afirmou o presidente Donald Trump nesta quinta-feira (16).
Nos últimos dias, relatos surgiram na imprensa internacional de que Washington havia proposto ao Irã um acordo para que o país não desenvolvesse armas nucleares por duas décadas.
"Temos uma declaração muito forte [do Irã]. Eles não terão... além de 20 anos... eles não terão armas nucleares. É mais do que isso. Não tem limite de 20 anos", disse ele a repórteres nos jardins da Casa Branca.
O Irã não comentou esse ponto das negociações diretamente. Segundo a rede de TV Al Jazeera, do Catar, Teerã recusou a proposta de interromper o enriquecimento nuclear por 20 anos, mas fez uma contraproposta que envolveria a interrupção, ao menos parcial, de seu programa nuclear.
EUA ameaçam bombardear Irã se país não aceitar acordo de paz
Na mesma entrevista, Trump criticou o papa Leão XIV por suas críticas à guerra e acrescentou que seu objetivo é fazer com que o Irã não desenvolva armas nucleares.
"Não tenho nada contra o papa", disse. "Ele pode dizer o que quiser, mas eu tenho o direito de discordar dele. [O papa] tem que entender que o Irã é uma ameaça muito grande. Eu sou super a favor do Evangelho, mas não posso permitir que o Irã tenha uma arma nuclear".
EUA e Irã estão sob um cessar-fogo de duas semanas, mas ainda não há um acordo de paz definitivo entre os dois países. Negociadores se reuniram no último sábado (11) em Islamabad, no Paquistão, mas as negociações fracassaram.
Na quarta (15), Teerã insistiu em seu direito de enriquecer urânio, pelo menos para fins pacíficos.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, reafirmou que ninguém pode "tirar" do Irã o seu direito de fazer um uso pacífico da energia nuclear, mas que a porcentagem desse enriquecimento é "negociável".
Tensões
Nesta quinta, o Irã negou que os Estados Unidos e Israel tivessem conseguido destruir sua Marinha e sua Força Aérea durante os ataques realizados durante a guerra, afirmação que Trump repete com frequência.
Em pronunciamento na TV estatal, o comandante do Exército iraniano, Amir Hatami, disse que a frota do país "segue firme e o inimigo se mantém a uma distância de 300 quilômetros".
Ao mesmo tempo, o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que as Forças Armadas americanas estão "prontas para retomar o combate se o Irã não aceitar um acordo".
Em uma coletiva de imprensa no Pentágono, o secretário de Trump fez provocações ao Irã. Disse que o país afirma ter o controle do Estreito de Ormuz, porém não tem mais Marinha, que Hegseth alega ter sido completamente destruída durante os ataques dos EUA e Israel.
Questionado por um jornalista sobre o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou: "Acredita-se que esteja ferido, mas vivo". Há um mês, ele disse que o iraniano estava escondido em um bunker e provavelmente "desfigurado".